Sorte

Despertei assustada com o barulho da porta, que havia se fechado sozinha com um baque forte, graças ao vento que assoviava na manhã de janeiro.. ainda meio zonza tentei lembrar, porém, já havia esquecido. Sabe quando se sonha algo tão bom, mas tão bom, que no mesmo instante que se lembra, se esquece? E não é que esqueci mesmo!? Adormeci novamente, e depois de alguns minutos, acordei de vez, e já havia esquecido de lembrar do que tinha esquecido mais cedo. Levantei, comi pão com manteiga, brinquei com o cachorro, ainda de pijamas, me espreguicei, fui molhar as flores que ficam na janela da cozinha quando... OPA. Me lembrei; havia sonhado que conversava com as flores. Voltei no tempo e lá se encontrava eu, com sete anos, cabelos escorridos, com a franja caindo sobre os olhos, magra como uma vareta. Na casa de minha vó havia um jardim cheio delas, e no meu sonho, elas conversavam comigo. Enquanto as primas estavam envolta da mesa comendo brioche, eu conversava com as flores. Eu corria entre elas, pulava e desviava para não esmagar nenhuma mas.. caí. E tudo bem porque eu sempre acabava caindo quando corria eufórica demais. Minhas primas diziam que era porque eu tinha pernas tortas, e além de tortas que uma era maior que a outra. Caída dentre as flores, com o joelho ralado, coberta de terra, recuperando o fôlego que perdi na euforia, uma joaninha pousou no meu nariz. Então lembrei que tinha toda a sorte do mundo. Porque segundo as flores, joaninhas trazem sorte, toda a sorte que se pode ter. Mas ela tem de vir até você, e não o contrário. Mesmo doze anos depois com minhas pernas tortas, eu ainda havia de ter, toda a sorte desse mundo.

Um comentário:

  1. Olá lindona,
    Adorei o blog e o post.Muito lindo o seu blog!Muito mesmo!
    Adoraria que você seguisse o meu blog!Ficaria grata!Já estou seguindo o seu!

    http://mundoencantadodabarbie.blogspot.com/

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