Estações


 Eu já havia reparado como as folhas estavam secas, e como elas estavam caindo a todo instante, como as árvores agora eram apenas troncos vazios, esperando pela próxima estação. Foi aí que me dei conta, que apenas a estação havia mudado desta vez; eu, porém continuava a mesma. Ah como esperei por isso, quer dizer, agora não há porque temer, não há porque fugir. É mais seguro assim. Posso enfim, respirar. Tudo parece mais bonito agora. As folhas ainda não pararam de cair. Junto a elas caem lembranças que antes me machucavam, presas a mim, não me deixavam ser. Elas demoraram um pouco para sair de mim, mas, talvez fosse preciso esse tempo de espera, mas eu fui paciente. Agora tudo o que me resta é amor. Então eu lhe pergunto; poderia o amor, ser o bastante?

Open your eyes

Pois me bastou olhar, para perceber que há tantas coisas bonitas no mundo, só o barulho das ondas, ou as luzes á noite, então na verdade percebi que agora entendo. Agora eu não estava apenas olhando, estava vendo de verdade, tudo fazia sentido e nada era insignificante. Eu abri os olhos. Escolhi não falar, não chorar, não reagir. Mas isso não significou que eu não entendi; ou que não senti. Na verdade eu precisava daquilo, eu precisava ver - Agora estou completa? Espera, quando foi que perdi um pedaço de mim? Ou ele nunca existiu de fato? - Eu precisava de um final feliz, mesmo que eu não acreditasse nele, porque eu não acredito. Então ele veio, e eu o sinto. O que sinto seria felicidade então? Eu não sei, não sei. Mas eu o sinto, como o vento eu posso senti-lo, mas não posso toca-lo. De olhos abertos ou fechados ele permanece, é uma parte de mim agora, e essa parte me disse que não é um final; é um começo.

Changes

Mudanças, uma das palavras mais dolorosas; para mim. Não sei lidar. Nunca soube. E embora eu não goste, apenas não posso evitar, ela sempre acontece hora ou outra. Sempre acreditei em coisas boas, para mim, coisas ruins são apenas a ausência de algo bom, algo que ainda vai acontecer, ou que já aconteceu e só esta esperando para voltar. Procurei. E é como dizem, quem procura acha. Pois eu achei; como também perdi. Tudo é muito frágil, muito instável. Nada é fácil, e conforme tudo muda, eu procuro não mudar, tento me adequar; isso não quer dizer que eu consiga. Quer dizer, existe alguma maneira de segurar algo? Com as mãos? Comigo? Para que não mude, não corra, não fuja; não se perca de mim. Ah eu fecho os meus olhos, respiro os novos ares, tento absorver tudo com cuidado, e por fim me preparo, antes que a tal mudança resolva voltar...