Azul celeste

Eram quase oito da manhã quando um fraco raio de sol bateu em seu rosto a acordando. Despertou lentamente, sem fazer barulho algum, sentou-se, e começou a observar com cuidado tudo que havia lá fora, com todos os mínimos detalhes, e percebeu que já fazia algum tempo em que ela não se dava um tempo, apenas para; olhar. Olhar a beleza das cores, das flores, dos sabores, dos peixes palhaço, do cheiro de grama molhada e do carro barulhento do vizinho. Afinal, tudo para ela era bonito, tudo tinha sua beleza, exatamente do jeito que é.
Por fim levantou, colocou um casaco grande com capuz e botas de borracha, pegou sua bolsa, e saiu. O céu estava num tom de branco com azul celeste, e uma brisa fria de final de inverno batia em seu rosto bagunçando o seu cabelo, conforme andava a grama fazia barulho por estar molhada, fazendo-a rir. Chegou ao pequeno trecho que conhecia tão bem, ele parecia um tanto abandonado, suspirou e continuou, conforme andava e nada ouvia, aumentou os seus passos porque a ansiedade não a deixava em paz. Chegou, nada viu, a não ser o velho tronco, molhado, sujo, velho, que possuía tantas lembranças. Permaneceu ali por poucos minutos e partiu.
Essa rotina se seguiu durante alguns dias, até que por fim, ela resolveu falar, pois não aguentava mais tamanho silêncio, quando há tantas coisas boas a serem ditas. Escreveu um bilhete na esperança de obter resposta, deixou-o em cima do tronco e esperou. Esperou durante algumas semanas, pois sabia que se não houvesse resposta seria a hora de seguir em frente, e ela não queria.
Passado alguns dias, era primavera, e tudo parecia calmo e aconchegante, ela acordou e por algum motivo estava alegre, alegre por viver. Arrumou-se rapidamente e saiu, seguiu seu trecho como de costume, sabendo que poderia ser a ultima vez, andava depressa, já não havia mais nada a perder. Chegou e viu um pequeno bilhete dobrado dentro do tronco, segurou-o com força de punhos fechados, tomando a coragem que lhe a pertencia. Abriu-o e lá estava a sua resposta: “Apenas quero te pedir que volte, que se cuide, sinto sua falta, e te quero bem, como sempre quis.” E foi aí que ela percebeu o quão puro e verdadeiro era, e como não foi uma perda de tempo, sorriu, porque agora tudo voltou a ser como era antes, e a como nunca devia ter deixado de ser.

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