Carta

Você queria uma carta, então aqui está. Não esta não é uma carta comum, não quero que a guarde, quero que a leia, e a queime depois. Se em meio a essas palavras haja algo que te faça bem, que te faça sorrir, algo que mais tarde valha a pena lembrar; guarde as palavras com você, quando precisar delas, elas vão aparecer em sua mente, sem necessidade alguma de ler isto novamente. Eu não queria escrever para você, ou sobre você, porque sabia como iria acabar. Ou não acaba? Enfim, eu não sou o tipo que chora até não conseguir manter os olhos abertos, ou que não come, e não dorme, e não sonha, por alguém. Pelo contrário, acho que eu sou do tipo que dorme com um dos olhos abertos, que entende; sem entender, que gosta de alguém a ponto de não precisar de palavras, que sonha sim, mais sou daquela que não só sonha, afinal de que adiantou você sonhar se não acredita em sonhos? Nós até podemos ser parecidos, como você sempre dizia. Mas a nossa diferença é essa, o seu sonho não sonhado terminou, com todas as razões erradas, da mesma forma que o que era nosso terminou, com todas as razões certas. Pois bem, eu te avisei. Essa não é uma carta comum. Procurei colocar o pouco de sabedoria que tenho aqui, para que você aprenda como eu aprendi, e para que você comece; a sonhar. Talvez você não entenda a mensagem de primeira, pode ler outra vez, não precisa de atenção, precisa de cuidado. Quando a entender; queime. E leve consigo coisas boas, suspire coisas boas. Coisas ruins nunca nos levaram a lugar algum. Por isso, não tente me entender, nem eu mesma me entendo. Da mesma forma que nunca te entendi. Porém também quero te agradecer, apenas agradecer, certos momentos vão ficar juntos a mim para sempre. E bem, talvez essa seja a nossa resposta. Certo?

Com carinho, jaque

Dezembro

 Adeus. - ela disse, para as lembranças, pelo menos naquele momento, era preciso se despedir. Lá fora chovia; lá dentro também. As promessas não seriam cumpridas, certo? Mesmo sendo promessas. Ela disse adeus. Como se nada estivesse errado, e estava. - Ah então é assim que eu deveria me sentir. - E é assim que deveria ser, ela achava. Certeza nenhuma ela tinha, coisas vão e voltam, ou não voltam, ou permanecem; no coração. E ela não conseguia decidir no que acreditar. Afinal acreditar para quê? Abrir os olhos para quê? Lá fora continua chovendo, ver ou não ver agora não fazia diferença, voltar talvez também não fizesse diferença. Se era só um sonho, não queria ter acordado. - Mas como essa história termina? - não termina. Da mesma forma que as lembranças sempre vão voltar, hora ou outra, nunca terminam. Não isso não é uma coisa ruim. Já passou. Bons tempos, velhos tempos. Pois depois de um furacão, vem um arco-íris. - E assim seja.

Continue

E foi assim que percebi que ainda há muito pela frente, venho criando forças para continuar, forças quais eu não sabia que existiam. Mas para conseguir não se pode olhar para trás. Eu não olhei para trás. Conforme o quebra-cabeça vai se completando, a cada peça um novo caminho, a cada caminho uma escolha, a cada escolha um preço a se pagar; este. Isso não é um jogo, não há vencedor e nem perdedor, mas há quem corra atrás, quem lute. Aprendi em meio a tanto medo que não se devem levar coisas ruins daqui. No dia do adeus deve-se levar consigo as coisas boas, as ruins se transformam em aprendizado e de alguma maneira, transformadas em palavras mais confortantes como; passado. E esse é o motivo porque não se deve olhar para trás. Continue. No fim os suspiros se tornaram mais mansos, e a partida mais uma fase vencida.