Voando cada vez mais alto

Nasci dia quatro de fevereiro de mil novecentos e noventa e cinco. Não sei a hora nem o nome do hospital, mas sei que a primeira palavra que falei foi 'atata' que eu relaciono a minha comida preferida; batata. Lembro pouco da minha infância; lembro que gostava de piscina, roubar flores, fazer as pessoas beijarem minha mão, irritar cachorros, brincar com meus primos (os mais velhos, nunca gostei de brincar com os mais novos ou com idade aproximada a minha), e dormir no colo de meu pai. Eu nunca fui uma criança solitária, pois não conseguia pegar meus brinquedos e ficar ali, brincando sozinha, mas em compensação eu poderia ficar horas fingindo estar me apresentando para quinhentas mil pessoas, ou encenando um capítulo de novela, ou até fugindo de um monstro em um filme de terror. Eu sempre amei a pequena sereia por ela ser, bem, uma sereia, embora sempre quisesse ser a cinderela, porque ela era loira. Eu também sempre amei a Barbie, tive a casa inteira e o até meus oito/nove anos. Me arrependo por não ter guardado tudo. Parei de brincar com esse tipo de coisa muito cedo eu diria. Pudera, sempre fui precoce. Tenho uma irmã quatro anos mais velha, e sempre queria estar á altura dela, não aceitava ela ter benefícios por ser mais velha. Talvez por andar com meus primos mais velhos que eu comecei a me interessar por inglês, aos sete anos eu já conseguia cantar músicas em inglês, hoje sou fluente sem curso algum. Devido a ser precoce sempre entendi as coisas 'difíceis' coisas de adulto com mais facilidade. Não era uma criança boba que descobria as coisas na idade certa. Também já fiz vários cursos; dança, costura, natação, guitarra... Não terminei nenhum deles. Sempre fui apaixonada por água, música, fotografia e escrever. Todas essas coisas me representam muito bem. Nunca fui uma das meninas, mais bonitas, ou com o padrão certo de beleza. Não era muito alta, não era loira, não tenho olhos claros nem cabelo liso, magra, bem magra, com olhos grandes, e com idéias e gostos bem diferentes as demais crianças. Então com o tempo, eu fui me aceitando mais, e percebi que beleza não é o que está por fora, beleza de verdade não se vê. Acho que conforme o tempo passa, e você olha para trás, você percebe que você não é nada mais do que você já foi quando pequeno. Ainda sou aquela garotinha de cabelos cacheados, correndo pela praia, chutando a água, aquela que salvou um dos filhotinhos de sua cachorra que os teve debaixo da sua casa, aquela que roubava flores e saía correndo, só parava quando tinha certeza que ninguém tinha visto, aquela que fez seu pai parar de fumar quando tinha seis anos, destruindo suas carteiras de cigarro, aquela que dormia com a mãe todos os dias e fazia seu pai a carregar até a sua cama tarde da noite; todos os dias. Aquela que sonhava em ser; cantora, atriz, modelo, fotógrafa, escritora, famosa, etc. A mesma que ainda sonha com tudo isso, sonha alto, mais alto do que se pode imaginar, sempre fui assim. Coisas pequenas nunca me interessaram, eu quero o mais alto que eu puder! Não quero restos, e nem beiradas, eu quero por inteiro. E daqui a cinquenta anos, ainda serei a mesma caçadora de sonhos.

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