Á flor da pele

As luzes da cidade iluminavam minha noite, em passos lentos eu seguia um caminho desconhecido, mas eu sabia como chegar, sabia onde queria chegar. De pés descalços sentia a areia gelada, entrando por entre meus dedos. Tudo que se ouvia eram as ondas e o barulho de alguns carros que insistiam em passar. Meus pensamentos iam longe, longe como as estrelas, que eu contemplava naquela noite, na minha noite. Fui deixando as coisas virem, sem impedir-las, pois já fazia um tempo que eu estava as segurando, não sabia quanto tempo mais eu conseguiria. Então aos poucos elas vieram, como uma chuva de granitos, me deixando incondicionalmente e completamente exposta. Todos meus ressentimentos, tristezas, mágoas, arrependimentos; estavam todos á flor da pele. Eu podia senti-los, eu quase podia pegá-los. Tudo de ruim que tinha em mim foi embora naquela noite, na minha noite. Elas foram junto ás ondas, e eu já não podia senti-las me machucando. A ferida estava curada; eu estava curada. Enquanto caminho na minha noite, respiro fundo, agora estou no alto. E no alto, nada pode me tocar.

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