Carta

Você queria uma carta, então aqui está. Não esta não é uma carta comum, não quero que a guarde, quero que a leia, e a queime depois. Se em meio a essas palavras haja algo que te faça bem, que te faça sorrir, algo que mais tarde valha a pena lembrar; guarde as palavras com você, quando precisar delas, elas vão aparecer em sua mente, sem necessidade alguma de ler isto novamente. Eu não queria escrever para você, ou sobre você, porque sabia como iria acabar. Ou não acaba? Enfim, eu não sou o tipo que chora até não conseguir manter os olhos abertos, ou que não come, e não dorme, e não sonha, por alguém. Pelo contrário, acho que eu sou do tipo que dorme com um dos olhos abertos, que entende; sem entender, que gosta de alguém a ponto de não precisar de palavras, que sonha sim, mais sou daquela que não só sonha, afinal de que adiantou você sonhar se não acredita em sonhos? Nós até podemos ser parecidos, como você sempre dizia. Mas a nossa diferença é essa, o seu sonho não sonhado terminou, com todas as razões erradas, da mesma forma que o que era nosso terminou, com todas as razões certas. Pois bem, eu te avisei. Essa não é uma carta comum. Procurei colocar o pouco de sabedoria que tenho aqui, para que você aprenda como eu aprendi, e para que você comece; a sonhar. Talvez você não entenda a mensagem de primeira, pode ler outra vez, não precisa de atenção, precisa de cuidado. Quando a entender; queime. E leve consigo coisas boas, suspire coisas boas. Coisas ruins nunca nos levaram a lugar algum. Por isso, não tente me entender, nem eu mesma me entendo. Da mesma forma que nunca te entendi. Porém também quero te agradecer, apenas agradecer, certos momentos vão ficar juntos a mim para sempre. E bem, talvez essa seja a nossa resposta. Certo?

Com carinho, jaque

Dezembro

 Adeus. - ela disse, para as lembranças, pelo menos naquele momento, era preciso se despedir. Lá fora chovia; lá dentro também. As promessas não seriam cumpridas, certo? Mesmo sendo promessas. Ela disse adeus. Como se nada estivesse errado, e estava. - Ah então é assim que eu deveria me sentir. - E é assim que deveria ser, ela achava. Certeza nenhuma ela tinha, coisas vão e voltam, ou não voltam, ou permanecem; no coração. E ela não conseguia decidir no que acreditar. Afinal acreditar para quê? Abrir os olhos para quê? Lá fora continua chovendo, ver ou não ver agora não fazia diferença, voltar talvez também não fizesse diferença. Se era só um sonho, não queria ter acordado. - Mas como essa história termina? - não termina. Da mesma forma que as lembranças sempre vão voltar, hora ou outra, nunca terminam. Não isso não é uma coisa ruim. Já passou. Bons tempos, velhos tempos. Pois depois de um furacão, vem um arco-íris. - E assim seja.

Continue

E foi assim que percebi que ainda há muito pela frente, venho criando forças para continuar, forças quais eu não sabia que existiam. Mas para conseguir não se pode olhar para trás. Eu não olhei para trás. Conforme o quebra-cabeça vai se completando, a cada peça um novo caminho, a cada caminho uma escolha, a cada escolha um preço a se pagar; este. Isso não é um jogo, não há vencedor e nem perdedor, mas há quem corra atrás, quem lute. Aprendi em meio a tanto medo que não se devem levar coisas ruins daqui. No dia do adeus deve-se levar consigo as coisas boas, as ruins se transformam em aprendizado e de alguma maneira, transformadas em palavras mais confortantes como; passado. E esse é o motivo porque não se deve olhar para trás. Continue. No fim os suspiros se tornaram mais mansos, e a partida mais uma fase vencida.

Para sempre

É de certa forma angustiante não ter o poder sobre as coisas que você ama. Mesmo quando você não quer amá-las você não tem escolha, simplesmente acontece, mas não é simples. Quanto mais vezes me perco; menos me acho, quando deveria ser ao contrário, a palavra tem me consumido na maioria do tempo, isso não é tristeza, é cansaço. Não pode ser tristeza algo que lhe ajude, mas como pode ser felicidade algo que lhe impeça de ser quem você é? Gostava do tempo em que o simples, bastava. Não digo que o esforço não era necessário, pois era. Milhares de vezes mais que hoje, e não era em vão. Mesmo que acabasse rápido, você levava algo com você, no coração e na mente. Mas hoje me parece que as palavras e os gestos são jogados ao vento, sem arrependimento, sem sentimento, sem dor. Talvez seja mais fácil fingir ou fugir, do que enfrentar. Mas ainda acredito que a simplicidade das coisas verdadeiras exista, ou talvez, eu sentindo-as baste; para sempre e sempre assim.

Por agora...

Na maioria das vezes me confundo quando tento descobrir o caminho certo, quanto mais eu tento, mais o mundo dá voltas por mim, e não eu por ele. Curioso como o errado sempre me parece certo, e enquanto esse errado continuar insistindo em mim, eu não desistirei dele. Minha certeza por agora, é que não tem mais volta, quando se está feito não se pode desfazer, ou até mesmo voltar atrás, e o tempo não vai parar até que você descubra a razão disso tudo. Talvez fosse mais fácil se mais alguém pudesse ver, o que somente eu consigo ver, ou quem sabe isso só tornaria as coisas mais difíceis, estou tentando decidir qual opção seria a melhor, ou a menos pior. Mas desistir; não é uma opção.

E agora?

 Eu sempre tive um milhão de defeitos, e pouquíssimas qualidades, ele sempre foi a pessoa que não se importou com isso. E bem eu não me importava com ele, até ele mencionar a palavra amor. - Amor; para o que serve? absolutamente nada. E eu não preciso dele, não preciso de nada. - disse-lhe. Fato é, que eu precisava, do amor, mesmo não acreditando nele, eu precisava, todos os dias. A ansiedade, o suor frio, a vontade, o desejo, o medo. Foi por isso que eu fugi, não porque eu queria, mas sim porque precisava. Enquanto escrevia isso, percebi que perdi o trem, não sei ao certo onde estou, não sei o que eu quero, não sei o que fiz a mim mesma, ou o que você fez em mim. Parada olhando para os próprios pés - o que eu fiz? - algo está faltando, não sei o que fazer - e agora? - o medo tomou conta de mim. Tudo o que eu disse que nunca iria precisar, tudo que eu julgava errado, tudo que eu não queria, mas descobri, que precisava: você. Então foi mais forte que eu, e isso era algo que eu realmente não esperava, o que eu sentia era mais forte que eu mesma, era forte o bastante para me fazer voltar, e eu voltei, por você.
- Não me deixe, ok? - ele disse.
- Ok.

See you soon.

Conforme o tempo passa tudo muda, tudo muda de lugar; é o que dizem, e eu até concordava, talvez. Na verdade o que mudam são as pessoas, tem outras coisas que simplesmente não mudam. E eu mudei. Deixei a porta aberta para que tudo entrasse, e a porta é a única suicida aqui. E bem, as coisas entraram, e eu não tive medo, eu não tenho medo, que elas me acertem... Talvez antes eu não aguentasse, eu era fraca, eu fui fraca. Eu cresci comprimentos e mais comprimentos desde que tudo isso começou. Desde que começamos com tudo isso. Talvez minha mente tenha ido para a direção contrária uma vez ou outra. Acredito que grande parte disso tenha sido nossa culpa, não dá para culpar o mundo pelos nossos problemas por muito tempo. Mas bem, quando o amargo e o doce se colidem, não é coincidência. É como eu disse tem coisas que não mudam, nós não mudamos. O tempo passou e continuamos os mesmos, e lá no fundo, está guardado o que as pessoas costumam chamar de; amor. Mesmo em segredo. E eu guardarei tudo, em meu coração, sempre.

Com amor Jac

Frágil

Fugir. Parecia uma decisão rápida, aliás, era a única delas para mim, não queria decidir nada, queria deixar estar, posso? Parti. Levei o que achava necessário, as coisas quais eu queria deixar, não ficaram como o planejado, lembranças podem ser muito incômodas. Saí. Enquanto andava tive a sensaçaõ de que eu estava indo para o trem, você para a estação... Continuei. Parei um segundo para respirar, ver as luzes, sempre que as olhava parecia ser á primeira vez; ou a última. Senti meu coração acelerar, era aquele cheiro tão conhecido, que devia estar a milhas dali, mas me parecia tão perto, tão perto... Senti sua mão segurar a minha. Pronto, aqui vou eu outra vez. É tudo tão frágil...

Relicário de sonhos perdidos

Quão cruel é a lua luminosa? procurando por sonhos em ruas desertas, diante de saída nenhuma em lugar nenhum, coberto por ouro platinado. Diante das luzes da cidade onde só se ouve suspiros desconhecidos na plenitude de uma juventude perdida. Lutar para quê? Não vamos a lugar nenhum. Eles lutaram e venceram, mas para nós, o relicário está fechado e não há nada a se fazer. Quão cruel é a lua luminosa?

Sem nome

E ela ela gritou e ninguém pareceu a ouvir; você ja se sentiu assim? Não tendo para onde ir nem para onde voltar, mas nada a prendia, pois não havia ninguém. Talvez a razão seja que não tem para onde ir quando não sequer chegar a lugar algum, e esse era o seu início, é a mesma sensação de quando se quer algo, e esse algo não tem nome. Para ela o que ela queria não era liberdade, nem algum lugar específico, não tinha nome. As portas estavam abertas e o universo parecia conspirar a sua vontade, quem sabe no final realmente há algo bom, talvez esse seja o porque de correr atrás das coisas, para chegar em algo, mas e quando não se tem algo? Bom, então você continua indo em frente não estando em busca de nada. É verdade, esse também é um caminho, o caminho dos bons.

Times in times

Se eu pudesse eu voltaria; aquele dia em que tudo estava perfeito, em que cada palavra era medida com muito cuidado, e que tudo parecia finalmente estar bem. Antes de tudo quando você quase falou as 3 palavras eu respondi antes mesmo de você perguntar - Não, eu vou machucar você. - e eu estava certa. Não faz tanto tempo mas me parecem anos e a cada dia tudo fica mais doloroso porque eu gosto muito de você, tanto que me machuca, por não ter espaço para tudo isso. É assustador pensar que alguém conseguiu fazer isso comigo. E mesmo que você não saiba, eu ainda estou escrevendo poemas para você.

Anjo

E ela culpou-se por algo que ela nem tinha o poder de causar. Ela se preocupou de certa maneira que nada que os outros diziam a confortava. Ela não ouvia, não falava, e nem via nada naquele momento. Ela chorava e se lamentava por não ter dito adeus. Ela sentia uma angústia tão grande que aquilo estava tomando conta de seu corpo e sua mente. Ela não lutou.
Pois pra ela, não tinha mais o que fazer, porque quando alguém se vai, esse alguém não volta, e ela sabia disso. Sabia que nada que ela fizesse ou dissesse iria mudar aquilo. Então ela dormiu com os olhos cheios de lágrimas mais uma vez. E ela sonhou. E ouviu e viu claramente que ela estava bem ali diante dos seus olhos feridos.
Viu que ela estava bem, estava segura, e não sentia dor alguma, sentiu seu abraço quente e seu cheiro doce, e ela disse: - Não chores, pois se chorares irá pesar minhas asas e eu não poderei voar. -
E ela parou; de chorar de se culpar e de se sentir mal. Ela cresceu, e viu, que seu anjo estava seguro e estava bem, protegendo-a e cuidando dela.

Decepção

Entreguei tanto, acreditei e esperei tanto de ti, que no fim recebi nada mais que decepções. Acho que a partir do momento que criei expectativas, me sujeitei a me machucar. Não é uma coisa que pensei, ou escolhi. Confesso que a dor não é tão forte, e nem tampouco fraca, mas ela não passa, e isso me incomoda, ver que isso permanece em mim como as esperanças que tinha permaneciam não só no que chamam de coração mais como na minha pele, estava ali, presente, visível. Estou tentando caminhar junto ao tempo, mas, acho que ele não está caminhando comigo, tudo tem se tornado diferente, quer dizer, nada mudou, mas nada está da mesma maneira que era antes. Vai ver de tudo isso eu tirei algum proveito, talvez agora, eu espere mais de mim, e não de outras pessoas; vai ver agora eu me dedique apenas quando tiver certeza, quando você tiver essa mesma certeza. E quem sabe assim, as coisas se encaixem de uma vez por todas.

my darling, run

Corra garotinha enquanto há tempo, pegue apenas o que precisar e corra;
Deixe seu passado e sua vida para trás, agora caminhe na direção contrária;
Não pense no medo ou em algo que a deixe assustada, você está indo para um lugar melhor;
Respire fundo e continue a correr, as suas asas não irão falhar;
E ela correu durante dias, a garotinha não parou por um segundo;
Levava em seu peito a coragem que ela nem sabia que existia dentro dela;
Com seus passos apressados ela parou, sentou, e respirou fundo;
Não pare garotinha você está quase lá!
E ela levantou-se subindo na ponte e jogando-se no mar;
Depois de alguns segundos ela não sentia mais nada;
Não sabia o que estava acontecendo;
Pobre garotinha, não sabe o significado de vida quem dirá morte;
E ela dormiu.
Num sono profundo e intenso, acordou sem ar algum, tentava com todas as forças respirar;
Mas nada além de um vazio entrava por suas entranhas;
Ela estava a salvo. Agora, a garotinha estava em um lugar melhor.

Prometa-me não esqueceres

Quero que lembres tudo. Prometa-me não esqueceres nada.
Quero que me leve em sua memória e em seu coração;
Quero que não imagines sua vida sem mim;
Quero que tu me abraces todos os dias;
Quero que lembres o meu cheiro e de como eu costumava rir;
Quero que me ames quando fico irritada e adores isso em mim;
Quero que todas as vezes que me olhes, sinta-se completo;
Quero que a cada briga, tu me ames mais e mais;
Quero que durmas e acordes comigo em teu pensamento;
Quero que nunca se esqueças de como descordamos das coisas, brigamos o tempo todo, se odiamos muitas vezes, e que não temos quase nada em comum. Mas que por fim uma coisa é certa sobre nós: nos completamos, eu sou tua metade e você é a minha, e como somos loucos um pelo outro.

Incerteza

Envolvi-me de certo modo como para me proteger de algo que nem eu sabia como descrever, como uma lagarta se envolve em seu casulo antes de se tornar borboleta. Fato é que me envolvi e não sei ao certo como sair de meu casulo, ou se já saí e não percebi, também não sei. Mas confesso que tenho medo de em meio essa transação eu sair incompleta, pois a lagarta quando se torna borboleta se completa. As vezes penso que conforme a minha vida toma um rumo, eu deveria me ajustar e estar caminho junto a ele, e então chego a conclusão que na maioria das vezes, estou adiantada; ou atrasada. Não sei ao certo. E é essa incerteza que me deixa frustrada por não ter o poder da palavra certa. Afinal o que é certo? Sei apenas o que é errado, pois errando é como aprendo a viver.

Ela

Ela não sentia, ela não brigava, ela não opinava, ela não discutia.
Ela estava sempre impecável, intocada, perfeita.
Ela era tudo, e ao mesmo tempo era nada.
Ela não fazia esforços, ela esperava que acontecesse por acaso.
Ela era um dilema, uma dádiva, uma relíquia.
Ela nunca estava triste, sempre sorria, mesmo quando não queria.
Ela não sabia quão frágil era, ela parecia porcelana.
Ela podia ter a todos, mas não tinha ninguém.
Então ela se escondia, por que; ela não existia.

Voando cada vez mais alto

Nasci dia quatro de fevereiro de mil novecentos e noventa e cinco. Não sei a hora nem o nome do hospital, mas sei que a primeira palavra que falei foi 'atata' que eu relaciono a minha comida preferida; batata. Lembro pouco da minha infância; lembro que gostava de piscina, roubar flores, fazer as pessoas beijarem minha mão, irritar cachorros, brincar com meus primos (os mais velhos, nunca gostei de brincar com os mais novos ou com idade aproximada a minha), e dormir no colo de meu pai. Eu nunca fui uma criança solitária, pois não conseguia pegar meus brinquedos e ficar ali, brincando sozinha, mas em compensação eu poderia ficar horas fingindo estar me apresentando para quinhentas mil pessoas, ou encenando um capítulo de novela, ou até fugindo de um monstro em um filme de terror. Eu sempre amei a pequena sereia por ela ser, bem, uma sereia, embora sempre quisesse ser a cinderela, porque ela era loira. Eu também sempre amei a Barbie, tive a casa inteira e o até meus oito/nove anos. Me arrependo por não ter guardado tudo. Parei de brincar com esse tipo de coisa muito cedo eu diria. Pudera, sempre fui precoce. Tenho uma irmã quatro anos mais velha, e sempre queria estar á altura dela, não aceitava ela ter benefícios por ser mais velha. Talvez por andar com meus primos mais velhos que eu comecei a me interessar por inglês, aos sete anos eu já conseguia cantar músicas em inglês, hoje sou fluente sem curso algum. Devido a ser precoce sempre entendi as coisas 'difíceis' coisas de adulto com mais facilidade. Não era uma criança boba que descobria as coisas na idade certa. Também já fiz vários cursos; dança, costura, natação, guitarra... Não terminei nenhum deles. Sempre fui apaixonada por água, música, fotografia e escrever. Todas essas coisas me representam muito bem. Nunca fui uma das meninas, mais bonitas, ou com o padrão certo de beleza. Não era muito alta, não era loira, não tenho olhos claros nem cabelo liso, magra, bem magra, com olhos grandes, e com idéias e gostos bem diferentes as demais crianças. Então com o tempo, eu fui me aceitando mais, e percebi que beleza não é o que está por fora, beleza de verdade não se vê. Acho que conforme o tempo passa, e você olha para trás, você percebe que você não é nada mais do que você já foi quando pequeno. Ainda sou aquela garotinha de cabelos cacheados, correndo pela praia, chutando a água, aquela que salvou um dos filhotinhos de sua cachorra que os teve debaixo da sua casa, aquela que roubava flores e saía correndo, só parava quando tinha certeza que ninguém tinha visto, aquela que fez seu pai parar de fumar quando tinha seis anos, destruindo suas carteiras de cigarro, aquela que dormia com a mãe todos os dias e fazia seu pai a carregar até a sua cama tarde da noite; todos os dias. Aquela que sonhava em ser; cantora, atriz, modelo, fotógrafa, escritora, famosa, etc. A mesma que ainda sonha com tudo isso, sonha alto, mais alto do que se pode imaginar, sempre fui assim. Coisas pequenas nunca me interessaram, eu quero o mais alto que eu puder! Não quero restos, e nem beiradas, eu quero por inteiro. E daqui a cinquenta anos, ainda serei a mesma caçadora de sonhos.

Á flor da pele

As luzes da cidade iluminavam minha noite, em passos lentos eu seguia um caminho desconhecido, mas eu sabia como chegar, sabia onde queria chegar. De pés descalços sentia a areia gelada, entrando por entre meus dedos. Tudo que se ouvia eram as ondas e o barulho de alguns carros que insistiam em passar. Meus pensamentos iam longe, longe como as estrelas, que eu contemplava naquela noite, na minha noite. Fui deixando as coisas virem, sem impedir-las, pois já fazia um tempo que eu estava as segurando, não sabia quanto tempo mais eu conseguiria. Então aos poucos elas vieram, como uma chuva de granitos, me deixando incondicionalmente e completamente exposta. Todos meus ressentimentos, tristezas, mágoas, arrependimentos; estavam todos á flor da pele. Eu podia senti-los, eu quase podia pegá-los. Tudo de ruim que tinha em mim foi embora naquela noite, na minha noite. Elas foram junto ás ondas, e eu já não podia senti-las me machucando. A ferida estava curada; eu estava curada. Enquanto caminho na minha noite, respiro fundo, agora estou no alto. E no alto, nada pode me tocar.

Respostas

Entender é uma das palavras mais difíceis para mim. Não estou atrás de perguntas, mas sim de respostas. Então me pego pensando: você deve ter algo muito forte, tão forte, que não consigo encontrar nenhuma palavra que chegue perto do que eu quero dizer. Você me mantém por perto, quando quero estar longe, me faz ficar, quando o que eu mais quero é sair, me faz mudar de humor em questão de segundos, por quaisquer coisas que diga, porque você me afeta. Em todos os sentidos você me afeta. Não me pergunte o porquê, pois nem eu sei; não entendo. Continuo pensando... quão forte eu tenho que ser para poder agüentar tudo isso? Outra pergunta sem resposta. Fato é, que eu agüentei até agora, agüentei chegar em casa e vestir a minha camisa favorita, e perceber que ela tem mais o seu cheiro do que o meu, e então lembrar que ela fica melhor em você, do que em mim. Você me afetou novamente. Pensando eu me dei conta de que, não basta entender, mesmo que eu queira respostas para todas as minhas perguntas, não basta entender. Tudo que aprendi até agora foi vivendo; vivendo encontrei respostas.
Você é um enigma. E eu estou perto de te descobrir. Mas eu não sei até quando eu agüentarei; sentir teu cheiro, e não ter você aqui, vestindo minha camisa favorita...

Real

Não quero algo inventado. Quero algo fora dessa vida, que todos vivem e passam dia após dia como se tudo estivesse bem, quando não está. Quero algo real; quero sentir algo. Algo verdadeiro, que vá fundo, tão fundo que toque minha alma, de um jeito que ninguém nunca conseguiu fazer antes, que me faça parar de respirar por um segundo, só pra sentir aquele momento. Que me faça ir além; além de tudo por você. Por você não medirei conseqüências, tomá-las-ei por você. Quero que você esteja bem aqui, ao meu lado, para me abraçar e me fazer sentir protegida, de tal forma que nada lá fora importe. Que seja apenas o que estamos sentindo. Que dure, por muito tempo. Quero que você seja meu anjo e eu tuas asas. Quero fugir toda a tarde com você, dirigir pra qualquer lugar, que seja novo pra gente, e então aproveitaremos o momento, e no dia seguinte faríamos de novo. Quero tudo novo, algo velho que seja novo pra mim, um sentimento que seja velho e seja novo pra mim. Quero adormecer nos seus braços e acordar neles. Porque eu quero algo real, quero sentir algo...

Encontro


Sei o quanto é difícil pra você, também é difícil pra mim, estamos seguindo caminhos diferentes. E talvez isso não seja uma coisa ruim. Não quer dizer que temos que ir aos mesmos lugares, fazer as mesmas coisas, seguir os mesmos caminhos. Quem sabe no final eu seja o seu caminho e você seja o meu. E a gente se encontre enquanto seguíamos em frente; sempre em frente, e uma hora chegaríamos. Aonde? eu ainda não tenho certeza. Não tem certeza de nada. Nunca gostei de ter coisas planejadas, fazer uma lista com tudo que irei fazer quando for pra tal lugar... Gosto do inesperado. E com você foi assim.
Então quem sabe meu bem, depois de um tempo, o inesperado acontece novamente, pois, nós nunca gostamos da palavra rotina, finjo que não sei o que ela significa pois pra mim nada significou. Sempre fiz coisas por impulso. Algumas foram boas, outras ruins... mas em meio a elas você apareceu. E agora cá estamos, decidindo o que fazer.
Você vai para um lado e eu para outro; não.
Não desse jeito. Então se despessa de mim meu bem, dê-me um beijo e saia, siga seu caminho, e eu seguirei o meu, quero que saiba que eu amo você, e que se for para ser, nos encontraremos no final, da maneira mais inesperada possivel, do melhor jeito possível. Então continuaremos, a viver essa vida desenfreada cheia de emoções.

Vendida


Se vende por roupas de marca, pessoas populares, opinião alheia, o que ta na moda, aquele filme que "todos" estão assistindo, o novo site que todos estão participando, aquela pessoa que de tudo sabe...
Esse tipo de prostituta não vende o corpo. Vende a alma, vende a personalidade que ela nunca terá, vende a opinião que ela nunca teve, e o futuro que será nada menos, do que ser um papel em branco. Está ali, indiferente, esperando para que alguém a "personalize".
O papel e a prostituta são quase iguais, os dois estão esperando por algo que o faça ser "diferente". Mas a prostituta pode ser a diferença entre os dois; pode mudar por si mesma. Mas na maioria das vezes não, a prostituta fica ali, continua ali; sendo apenas um papel em branco...

"Ser diferente não é não se igual aos outros, é ser você mesmo."

É agora.

Não meu amor, eu não espero que ninguém entenda. Essa amizade, sem freios, sem pausas, sem ponto final. Maus olhares, espingardas carregadas, veneno escorrendo da boca de supostos amigos. E sim meu amor, nada vai além da amizade, da nossa amizade, da nossa brincadeira. Não, não temos tempo a perder, na verdade estamos á frente do tempo. Tudo está se repetindo, estamos vendo as mesmas coisas, mesmas frases, mesmas pessoas; mesmo tudo. Enquanto todos caminham para trás nós corremos para frente. Ah como eu adoro essa vida inventada. Largaria tudo para viver um desses sonhos. Mas na verdade eu não me importo, ah não me importo mesmo. Dizer é quase tão bom quanto fazer, o que importa é que estamos aqui agora. A cada esquina uma história, a cada olhar uma lembrança. Ah meu amor, nós iremos longe. Está no nosso destino. A cada suspiro que dou quase perco o fôlego. Estou a um ponto de me achar. Mas se eu me achar, não vai ter mais graça. O bom é poder inventar e viver ao mesmo tempo. Ah meu amor, adoramos voar!

Quero...

entrar no mar e ir até meus pés não alcançarem o chão;
me jogar daquela montanha e fingir que posso voar;
dirigir para lugar nenhum ouvindo a minha música;
correr até sentir que meus pulmões não vão agüentar mais;
entrar no primeiro ônibus que eu ver com apenas uma mochila nas costas;
chegar num lugar que nunca fui, repleta de vontade de viver;
sentir o cheiro e provar tudo o que eu quiser;
ficar acordada esperando para ver aquele nascer-do-sol;
dançar com a lua sem música alguma;
deixar que todos meus sentimentos irem embora junto com a brisa fria;
dormir um dia inteiro e ficar acordada três;
me jogar no mar no inverno, sentindo a água quebrar em minhas costas;
não ter roupa, louça, casa limpa e rir de mim mesma;
e quem foi que disse que eu tenho medo?
o que eu tenho é espírito aventureiro!

Dádiva

A cada 1 passo que dou para frente, volto 2 para trás. Tentando entender o que estou fazendo. O que eu quero; o que eu quero? Depois de algum tempo pensando, não encontrei a resposta. Os segundos continuaram passando, afinal, o tempo não para, para que eu me concerte. Andando pelas ruas escuras, só podia se ouvir minha respiração, o que me assustava. Me assustava ter que ouvir a minha respiração quando eu queria ouvir a sua. Andei mais rápido. Sentei. Ofegante olhando para o céu. Mesmo sem saber o que queria, eu desejava pelo menos naquele momento, sentir você, minha dádiva. Nem que fosse por um segundo. Só para que eu pudesse lembrar-me de como era. Levantei-me e segui em frente. Dizem que não se pode mudar o que já está feito. Cheguei á porta de casa, e fiquei ali; parada por alguns minutos, criando coragem para entrar. Para enfrentar aquilo que chamam de vida. Não é uma coisa de que se pode fugir; talvez até possa, mas não por muito tempo. Com passos lentos e sem fazer algum barulho sequer, entrei. Sentei-me na varanda, e contemplei daquele céu cheio de estrelas mais uma vez; desejando que você entrasse e fizesse tudo isso parar.
Mas é como dizem; querer nem sempre é poder.

Descobri.


Olhei em volta. Vi-me cercada de pessoas, todas ao meu redor, querendo um pedacinho de mim. Então olhei novamente. Contei nos dedos em quantas delas eu podia confiar, considerar meus amigos. Não precisei das duas mãos para isso, e ainda me sobraram dedos. Ver que mesmo estando cercada de milhares de pessoas e pouquíssimas as que realmente posso confiar, descobri, a realidade. E que muitas vezes, ela dói. Ela te machuca. Ela deixa uma ferida que mesmo quando você acha que ela está curada, ela volta a doer vez ou outra. A cada pessoa que conheço, cresço um pouco mais. E a dor vai se tornando cada vez mais fraca. É como se você já soubesse que vão te magoar quando você menos espera, e então não é tão doloroso. A verdade é que mesmo que doa, vai passar. As vezes achamos que não, mas passa. Essas pouquíssimas pessoas, meus amores, são as que realmente valem a pena. Sei que elas podem errar de vez em quando, mas isso é normal. Somos humanos e erramos sempre. Acontece que existem certas coisas que não merecem perdão, e cabe a você e mais ninguém julgá-las.

E então fica a frase que fiz a alguns dias e que me inspirou em fazer esse texto;
"Nunca se engane achando que sabe tudo sobre uma pessoa, pois o que você sabe, é o que ela te permite saber. "

Promise, this promise.


Promete? que será apenas você e eu. eu e você...
Promete; me abraçar todos os dias e dizer que me ama. como se fosse a última vez que dissesse...
Promete; não mentir. pois mentir leva a ilusão...
Promete; que nada será em vão. e então tudo valerá a pena no final...
Promete; que a cada briga você vai correr atrás de mim e pedir perdão. quando eu não o fizer...
Promete; que mesmo que toda essa magia acabe um dia...
Você irá olhar o pôr-do-sol e vai se lembrar de mim. E vai rir. De tudo que fomos um dia.

Guarde-me em sua memória

- Nada na vida é por acaso. Tudo acontece por um motivo. E sei que ter te conhecido, foi um dos maiores deles. - li em voz alta, mais para mim mesma do que para a pessoa que iria ler aquilo. Guardei o pequeno pedaço de papel em sua jaqueta, e parti. Nada mais fazia sentido, tudo parecia em vão... Já significou um dia, hoje, é passado. Não digo que não foi bom, pois foi, enquanto durou. Acredito que o que sentimos e vivemos, foi o que tornou aquele verão tão importante para mim. Se apaixonar por uma pessoa, pelo que ela é, simplesmente amar tudo nela, amar os momentos que passaram juntos, e nada mais. Eu nunca acreditara no amor, pois para mim, tudo era artificial. As pessoas não se amavam, apenas se divertiam, e no dia seguinte nada da noite anterior importava mais. Diferente disso, encontrei você. O mais intenso dos verões, o mais caloroso, o mais significativo. Era apenas você e eu. Não me importava saber o que estava acontecendo lá fora, o que acontecia dentro de mim já bastava. Pensar e viver com você ocupava todo o meu tempo. Ser feliz me consumia. Mas como nada é para sempre, deixo aqui a minha paixão por ti. E tudo que vivemos ficará guardado em mim para sempre. Só te peço uma coisa... guarde-me em sua memória.

A arte de viver


Se quiser correr; corra.
Se quiser gritar; grite.
Se quiser cantar; cante.
Se quiser pular; pule.
Se quiser fugir; fuja.
Se quiser sumir; suma.
Se quiser morrer; viva.
E a princípio, lembre-se que mesmo quando tudo parece estar desmoronando, haverá um motivo mais importante. Você. Por isso viva e aproveite, e no final você poderá dizer: valeu á pena.

Saudade

Saudade de te abraçar,
Saudade de rir de suas idiotices,
Saudade das tardes sentadas na grama vendo o por do sol,
Saudade de ouvir sua voz me chamar,
Saudade do seu cheiro,
Saudade do futuro que planejamos, mas nunca foi realizado
Saudade de tudo.
E o pior, é saber que não posso te ver, não hoje
nem amanhã.
Mas sei que eu te verei novamente, em outro lugar, longe daqui.
E faremos tudo isso novamente, para sempre.